Desmistificar a Gaguez

O que é a Gaguez? Acha que o seu filho tem gaguez? O que deve fazer? 

A gaguez é uma perturbação persistente da fluência do discurso, acompanhada por sentimentos de perda de controlo, em que a produção de fonemas, sílabas, palavras e enunciados não ocorre conforme os parâmetros percecionados como típicos. 

Entre os 2 e os 4 anos de idade pode existir um período transitório de cerca de 6 meses com disfluências, em que as crianças tendem a fazer repetições no início do discurso e hesitações, sem ser observado esforço físico e tensão ao nível da face e do corpo. Após este período, a disfluência transitória passa a designar-se por disfluência/gaguez persistente.

Como fatores de risco, constam: ter história familiar de gaguez; ser do sexo masculino; surgir depois dos 3 anos e 6 meses; permanecer há mais de 6-12 meses; existirem em simultâneo alterações de fala e/ou linguagem e dificuldade em ser compreendido; ter competências linguísticas acima ou aquém do esperado para a idade; ter um temperamento perfecionista.

Deixamos agora alguns mitos sobre a gaguez: 

  • A gaguez é contagiosa? Foi o nervosismo que causou a gaguez? A gaguez surgiu por causa de um susto? A pessoa tem gaguez porque tem uma língua muito curta? Todas são falsas. A gaguez tem uma etiologia multifatorial, uma vez que, a par de uma pré-disposição genética, existem também fatores neurofisiológicos, ambientais e/ou de temperamento que levam ao seu aparecimento;
  • Pessoas que gaguejam são menos inteligentes? Falso. Pessoas que são disfluentes são tão inteligentes como pessoas fluentes, e não há qualquer tipo de relação entre ambas;
  • A criança, o jovem ou o adulto se quiser pode falar sem disfluências se se esforçar? Falso. Não se trata de comportamentos voluntários que a pessoa consegue controlar;
  • Como a gaguez apareceu sozinha, também vai desaparecer sozinha. Falso. Como já referido, se persistir por mais de um ano, na adolescência ou no adulto, é pouco provável que desapareça;

Se tem uma criança com gaguez, evite usar as expressões: “Respira fundo”, “tem calma”, “fala devagar”, “pensa antes de falar”, “repete”, nem termine a frase pela criança. Ao invés disso, utilize as seguintes estratégias: 

  • Abrande o ritmo. Fale com o seu filho sem pressa, fazendo pausas frequentes. Após o seu filho terminar, aguarde alguns segundos antes de começar a falar. Dê o exemplo com o seu próprio discurso descontraído.
  • Escuta total. Tente aumentar os momentos em que dá toda a sua atenção ao seu filho e que são realmente de escuta.
  • Esperar pela sua vez. Ajude todos os membros da família a esperar pela sua vez de falar e ouvir os outros. É muito mais fácil falar quando existem poucas interrupções.
  • Promover a confiança. Use o elogio descritivo para promover a confiança do seu filho. Elogie qualidades que não estejam relacionadas com o “falar bem”, tais como aptidões atléticas, ser organizado, autónomo ou cuidadoso.
  • Regras. Eduque o seu filho exatamente da mesma forma que educa os seus outros filhos e tal como faria se a criança não gaguejasse.

Quanto mais precoce for a intervenção, maior será a possibilidade de sucesso. O Terapeuta da Fala é o profissional de saúde responsável pela avaliação, diagnóstico e intervenção nas perturbações da fluência. Recorra a este profissional caso tenha alguma dúvida.

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